quarta-feira, 5 de agosto de 2015

"Uma bala bastava."

    Tem muita gente por aí que aprende por osmose, por observação. Gente mais esperta que eu que consegue deter aquele impulso ruim antes que ele se concretize. Gente que tem a sabedoria alargada de seguir uma linha reta sem se deixar seduzir pela curiosidade nos caminhos paralelos.
    Eu não, eu tenho uma tendência prática, eu aprendo com erros, eu preciso de empirismo. E eu faço discursos, e eu tenho a ilusão de que é possível alertar pessoas com oratória, de que eu possa poupar os queridos das dores que já experimentei.
    Como continuo errando muito e errando feio, o tempo só me ensina o contrário. É o silêncio que educa. É a arte de ouvir, de não expressar uma opinião (que sempre soa como julgamento), que convence. Mais ainda, é a habilidade de lançar perguntas retóricas enquanto se ouve que ajuda o outro a refletir sobre o que vai dentro e a se sentir compreendido e confortado.
    Tenho feito um esforço danado contra a minha natureza declaratória e metida a salvadora para apreender a fala da Marilu Beer: "a nossa experiência não serve para ninguém, só serve para gente, porque o negócio é errar na vida!"
    Em tempos de gentes tão cheias de razões e de verdades eu me apavoro. Não pelo medo do linchamento público ao qual os meus próprios erros estariam submetidos. Há muito tempo eu aprendi enfrentar as consequências do que eu faço, mas também aprendi que não devo me sujeitar as expiações de culpa dos outros. Não devo me deixar crucificar por gente que, fugindo dos seus próprios erros, quer que eu pague também pelos seus pecados.
    O que me assusta é justamente o massacre a quem não tem essa consciência, a quem não tem meios para se defender dos atiradores de pedra.
    O que me assusta é essa arrogância moral que está por aí, tão difundida e espalhada, que parece que vai inundar redes sociais e tomar de assalto o que julga que lhe pertence. É quem acredita no direito a revidar um mal, mesmo que imaginário. É quem lembra nitidamente todas as vezes que se sentiu ultrajado ou ofendido, mas esquece, num passe de mágica, as próprias ofensas.
    Clarice Lispector, que escrevia e pensava muito melhor do que eu, traduziu tudo. Bastava só uma bala...


    "Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado." trecho de Mineirinho

terça-feira, 21 de abril de 2015

Jeitinho brasileiro nas fábricas de cerveja artesanal

    A capital mundial dos bares ampliou os parâmetros e está se transformando num pólo de cervejarias artesanais. De acordo com a Belotur, Minas Gerais tem 30 fábricas de cerveja, sendo 24 do tipo artesanal e muitas no entorno de Belo Horizonte.
    Krug, Falke, Wals, Backer, Kud... São várias opções com pátios cervejeiros, fábricas abertas ao público, bares ou espaços de degustação.
    A nova onda encheu meu coração de alegria e tratei de conhecer o Tasting Room da Wals pouco depois da abertura. A caverninha charmosa da entrada, com a lojinha dando boas-vindas ao público, é um excelente presságio. Dentro da casa só vale uma moeda personalizada que pode ser adquirida no guichê da entrada.

    O tour é curto, mas agradável. Na época em que eu fui (janeiro de 2014) custava apenas R$ 5. Um mestre cervejeiro guia o grupo, dissertando sobre os métodos de produção da empresa. Visitamos a cava onde estão as cervejas que seguem o método Champenoise e tiramos um copo geladinho da pilsen direto do tonel.  
    A régua de desgustação, servida no bar, é a chance de conhecer algumas das cervejas que ganharam premiações pelo mundo. Uma currywurst gostosinha e barata (se não me engano, menos de R$ 20), acompanhou as geladas.
    Na saída trocamos o restante das moedas por cervejas variadas e levamos para casa pérolas como a Saison de Caipira, feita com cana de açúcar.
    Não sei como anda o espaço desde que a Wals fechou parceria com a Ambev e virou sócia da Bohemia. Pelo que eu vi no site, o sistema não mudou. O preço das cervejas vai ser assunto mais para frente, depois que eu descrever outra visita.
    Uma das principais concorrentes da Wals é a Backer, que, na minha opinião, tem cervejas menos complexas, mas possui um pátio cervejeiro lindo. Já estive três vezes no local, só que ainda não fiz o tour pela fábrica. O passeio precisa ser reservado com antecedência e custa R$ 40, com direito a degustação de vários rótulos, um certificado e um copo personalizado.
    O salão sofisticado e a varanda com mesas costumam ficar lotados no sábado depois das 13h, por isso também recomendo a reserva para quem quiser conhecer sem se frustrar.
    A lojinha é pequena e bem acanhada, mas é possível comprar cervejas geladas enquanto se espera por uma mesa na área aberta, perto do parquinho infantil.
    A cozinha é variada e oferece pratos gostosos, como a costela ao barbecue ou o hambúrguer suculento que entrou para a lista dos melhores que eu já comi. Simples, mais belissimamente preparado.
    O taster (nome oficial da tal reguinha de desgustação) também aparece por lá, trazendo a oportunidade de provarmos cervejas especiais. Tudo seria perfeito não fosse o indefectível jeitinho brasileiro de fazer negócio.
    Enquanto a regra pelo mundo é visitarmos vinícolas e cervejarias podendo comprar produtos com preços especiais, a situação aqui é inversa. O consumidor paga mais sem saber porquê.
    Na Wals as cervejas da loja custavam o mesmo que nos supermercados, assim como os chopps no bar acompanhavam o preço dos outros estabelecimentos. Uma lógica difícil de entender. Meu nível de compreensão não alcança as explicações possíveis para se cobrar a mesma coisa por uma cerveja que não precisou nem ser transportada...
    Na Backer meu alerta-bobo pulou. A long neck da loja e do bar tem o mesmo preço. E esse valor é mais alto que o de uma cerveja de 600 ml no supermercado e ainda é um pouco maior do que o cobrado em bares que só vendem Backer, como a Mercearia 130.
Cardápio com preços das cervejas no Pátio da Backer
Backer de 600 ml na gôndola do Verdemar
    Eu vesti meu chapeuzinho de cone e sentei no cantinho da sala, já que estive três vezes na Backer e pretendo voltar a Wals. Prometo, pelo menos, não comprar cervejas nas lojinhas e tentar evoluir ao ponto de boicotar quem passa a perna na gente com tanta falta de cerimônia.
    Por hora, só me restou avisar. Vá, mas vá sabendo que enquanto a gente sorri nos salões, eles estão rindo por último na contabilidade.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Um pouso em Tiradentes

    O que não falta em Minas Gerais são cidadezinhas simpáticas, com ruas de pedra e muita história pra contar, mas aquela que mora no meu coração, a minha campeã de audiência é Tiradentes. A antiga Vila de São José do Rio das Mortes é a mais charmosa dentre todas as suas irmãs. Tem cerca de 7 mil habitantes e um coração grande que a faz dobrar ou até triplicar de tamanho durante os eventos que sacodem o município.
    A vizinha de São João del-Rei é eclética e democrática, recebe intelectuais, motoqueiros, apaixonados por culinária e mais...A Mostra de Cinema, o Bike Fest e o Festival Cultura e Gastronomia lotam as pousadas que se multiplicam pelos imóveis da cidade.
    A rua Direita já virou point de restaurantes consagrados que têm sofisticação e criatividade para surpreender qualquer morador das capitais. Quem prefere as panelas de ferro e os fogões à lenha também encontra bons representantes espalhados pela região que ainda é rica em artesanato feito de estanho e lojas de doces caseiros que seduzem qualquer um.
    Gente mais especializada que eu já montou roteiros maravilhosos de passeios pelas cidadezinhas de Minas. O guru Ricardo Freire fez um traçado muito legal de BH a Tiradentes.
    A minha dica é uma pousadinha simpática que, além de ter um visual único, conta um serviço diferenciado. A Hospedaria da Villa tem cara de povoado do interior com quartos que parecem casinhas de vila mesmo.
    Os preços são justos, o café da manhã é farto, o chá da tarde é uma surpresa (já que a gente nem sabia que estava incluído) e a piscina tem uma vista linda para as montanhas.
Café da manhã delícia!!!
    Não é tãaaaao perto do centrinho que dê para ir a pé, mas está a menos de 5 minutos de carro. Tem chalés de dois quartos para famílias, uma proprietária atenciosa e uma capelinha linda, pronta para receber os agradecimentos de quem está feliz por desfrutar do espaço.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Boa travessia pra você!

    Há dois anos tenho feito posts de Natal por aqui. Escrevi o primeiro para falar da minha paixão por essa época, depois quis deixar uma mensagem que me guiou pelos caminhos de 2014. Agora me deparei com um texto que eu já conhecia, mas que também espero que seja meu impulso em 2015.
    Venho buscando essa transformação desde que as coisas saíram do trilho entre 2010 e 2011. Às vezes intuo que a mudança interna pode ser a própria travessia e o único ponto de chegada, mas quem sabe o que vem por aí?
    A beleza dos anos novos é encherem a gente de esperança.

“Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas
que já têm a forma do nosso corpo
e esquecer os nossos caminhos
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos”.

Fernando Teixeira de Andrade*


*Há muita controvérsia sobre o autor desse texto, ainda que fontes confiáveis, como pesquisadores de Fernando Pessoa, atribuam o poema a ele, não encontrei nenhuma referência bibliográfica que lhe garantisse a autoria. Em compensação, há um texto desse professor de SP, publicado em livro, em que aparece o trecho acima, por isso, fiz a correção na autoria...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Dicas extras

    Tem alguns detalhes técnicos que eu não citei nos posts anteriores sobre Punta Cana e Panamá que são importantes para evitar situações chatas durante a viagem. Para facilitar a digestão, seguem em forma de tópicos:

- Vacina:

    O certificado de vacinação contra febre amarela não me foi pedido por nenhuma companhia aérea e em nenhum dos dois aeroportos. Pelo que eu li por aí, ninguém costuma ser cobrado na entrada desses países. O Panamá fazia parte da lista dos que poderiam fazer a exigência, mas, recentemente, foi cortado do rol pela OMS. Ainda assim, pra quê arriscar? Procure qualquer posto de saúde perto de casa, tome a dose da vacina com 10 dias de antecedência da viagem e fique imunizado pelos próximos 10 anos. Agora, só tomar a vacina, não adianta. Tem que tirar o certificado. No site da Anvisa há uma explicação detalhada de como e onde conseguir o documento.

- Seguro de saúde:

    Nunca viaje sem ele. Já precisamos usar duas vezes e foi uma mão na roda. Em geral, os cartões de crédito oferecem o seguro para o titular e um dependente quando as passagens são compradas com ele. Se você não tiver essa vantagem, faça um. Os resorts geralmente têm serviço médico, mas sabe Deus quanto vai custar o atendimento...

- Moeda:

    Reza a lenda que o Panamá tem uma moeda própria chamada Balboa, mas, é literalmente isso, moeda, porque, na prática, não existem notas de Balboa. Como o dólar também é oficialmente aceito, são as verdinhas que circulam por lá. Dentro dos resorts de Punta Cana as notas americanas também são amplamente recebidas. Se você for se aventurar por partes menos turísticas da República Dominicana, pode valer a pena trocar o dólar pelo peso local (alguns resorts costumam fazer o câmbio e ainda trocam notas de dólar com valores mais altos por valores menores para as gorjetas).

- Taxa de turismo:

    Não se surpreenda quando desembarcar em Punta Cana e tiver que passar por uma fila para pagar uma taxa de entrada no aeroporto. São 10 dólares por pessoa e o pagamento é feito apenas na chegada.

- Táxi e carregadores de bagagem

    Se o seu hotel de Punta não tiver transfer incluído, se prepare para gastar até 50 dólares de táxi. Os valores são tabelados e cobrados em dólar mesmo. No saguão do aeroporto há uma tabela bem à vista, mas, passe reto por quem ficar te puxando, querendo carregar sua mala e te levar até o táxi. Esses carregadores vão exigir gorjeta e não te encaminharão, necessariamente, para os táxis oficiais, mais baratos.
    No Panamá é comum um táxi levar mais de um passageiro. Se quiser exclusividade, negocie o preço com o motorista. Não há taxímetro, então, pergunte sempre o valor da corrida antes de entrar. E fique esperto, o normal é que seja bem barato, coisa de três a quatro dólares. Um trajeto de 10, por exemplo, tem que ser beeem longo. Só a corrida do aeroporto para o hotel é que vai ser mais cara, entre 30 e 35 dólares, dependendo do bairro.
Decoração extra no quarto
 - Gorjetas

    Esse é um dos temas mais polêmicos das viagens, tem brasileiro que insiste em ignorar o assunto, apesar de pagar, sem contestação, os 10% que são cobrados por aqui. Para mim a regra básica é "em Roma, faça como os romanos" e nos resorts elas são tradição. Pelo menos para as camareiras, os barmen e os carregadores de bagagem. Em relação ao resort que eu fiquei, o Barceló Bávaro Palace Deluxe, posso dizer que fez pouca diferença quanto ao serviço de quarto. O mais comum era o cisne na cama e toalhas de praia extras, nada de bebidas a mais no frigobar e nem amenidades sobrando no banheiro. De qualquer forma, a cultura local e a valorização do trabalho alheio mandam deixar. Nos bares o efeito era imediato. O atendente tratava sempre de caprichar nos drinks e puxar papo. Em relação aos restaurantes, confesso que só deixei para os garçons/garçonetes prestativos ou simpáticos. Alguns, claramente desleixados ou mal humorados, não recebiam. Quanto ao valor, acho que vai do bolso de cada um, meu padrão era um ou dois dólares, cinco só para atendimentos diferenciados.
    O Viaje na Viagem tem um post interessante sobre o tema, aqui. Vale a pena olhar.
Yesênia, garçonete simpática do restaurante francês

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mais do que um ponto de parada

    Assim que decidimos ir para Punta Cana resolvemos fazer uma parada de alguns dias no Panamá para visitar uma amiga querida do Máster, a Jannan, e a prima dela, Mari, que também foi nossa companhia em Barcelona.
    Mesmo que a capital do país fosse apenas o ponto de compras alardeado por tantos turistas, o desvio valeria a pena pelo reencontro. A diferença no preço da passagem, coisa de 100-200 reais por três dias em terras panamenhas, também serviu de incentivo.
   Encontramos um hotel simpático no Booking e fizemos a reserva. Conseguimos um quarto espaçoso no The Saba por cerca de 90 dólares a diária.
    As surpresas boas começaram por lá. Além de muito agradável e cheio de pequenas amenidades (como a cafeteira com café de ótima qualidade no quarto, o rádio com encaixe para celular e as revistas) o hotel era pra lá de bem localizado.
    O The Saba fica perto de uma das poucas estações de metrô da cidade, em frente a um parque, numa avenida cheia de bares e cafés, no bairro El Cangrejo. Essa comodidade ajuda a resolver o único quesito fraco do hotel, o café da manhã à la carte, que é bem pobrinho.
    Na primeira noite, antes de irmos para Punta Cana, nossas anfitriãs nos levaram para um city tour que ajudou a criar uma simpatia instantânea pela Cidade do Panamá. O centro histórico, que está sendo renovado, é uma graça! Como o dia foi corrido, deixamos para conhecer melhor no pit stop de 48 horas, na volta.
    O problema é que acabou sendo pouco para conciliar compras e turismo. Tiramos um dia para conhecer o maior shopping da América Latina, Albrook Mall, que parecia ser a melhor opção para quem tinha pouco tempo de viagem. Pegamos o metrô perto do hotel e chegamos ao gigante no horário de abertura, às 10h. Fomos embora às 19h, depois de ver apenas o primeiro dos dois pisos.
Ala da Girafa no Albrook Mall - o shopping é todo dividido em alas com nomes de animais
Parque de diversões no meio do centro de compras
Entrada do hotel que fica dentro do shopping - devidamente decorado para o Hallowen
    Eu disse que ´parecia uma boa opção´ porque na prática foi infernal. Meus pés estavam em carne viva no fim do passeio (eu estava de sapatilha) e a quantidade de sacolas não justificava o esforço. A verdade é que eu não sou do tipo que compra tudo de primeira e pesquisar num lugar do tamanho de 36 campos de futebol, definitivamente, não é uma boa opção. Sendo justa com o shopping, meu marido encontrou muita coisa interessante e havia uma loja de perfumes, a So Nice, com promoções melhores que as do free shop. 
   Na manhã do dia seguinte, acabei passando em outro shopping, o Multiplaza, que tinha Zara e Forever 21 com precinhos que só encontramos no exterior e era mais compacto e objetivo.
Forever 21 do Multiplaza
    Como a gente ainda queria curtir a cidade, fomos direto para o centro histórico, passear pelas ruelas, comprar o indefectível chapéu Panamá (que é produzido no Equador...) e almoçar num dos hotéis descolados da área central, o Tântalo.
Centro histórico
Bar do hotel Tântalo
Cerveja gelada, tacos e tequeños (uma delícia de queijo empanado)
    Planejamos chegar cedo ao aeroporto e desbravar toda a imensidão do terminal, então, não deu pra fazer muito mais. Deixamos o canal e todo o resto para uma próxima. Por falar no aeroporto, ainda que você vá fazer apenas uma conexão, tente pegar, no mínimo, algumas horinhas entre um vôo e outro. O Panamá não tem as outlets americanas, mas os preços estão anos-luz do Brasil. E não se engane, você vai ver muitas lojas repetidas das duas grandes redes de free shop (La Riviera e Attenza), mas há várias outras opções, é só procurar.
    Outro ponto que conhecemos e vale o registro é a cervejaria Steinbock. Nossas amigas nos levaram a esse bar na primeira noite e adoramos o ambiente e a comida, pratos baratos e fartos da culinária alemã.  

    Foi curto, mas intenso! Não vejo a hora de voltar...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Prato feito

    A gastronomia sempre vai ser uma das atrações principais em qualquer resort de sistema All Inclusive. A possibilidade de comer e beber à vontade, sem pensar em preço, desfrutando uma paisagem maravilhosa, seduz até a mulher mais preocupada em entrar no biquiní. Até porque, se você não bebe ou está de regime, não tem sentido pagar por essas mordomias.
    O problema é que, em geral, os complexos hoteleiros garantem mais quantidade do que qualidade aos milhares de clientes. O próprio Barceló Bavaro Palace Deluxe tem dois restaurantes tipo buffet, sete à la carte, um sports bar 24h (que também serve comida) e nada mais, nada menos do que 12 bares, mas, infelizmente, em muitos, as refeições e as bebidas deixam a desejar.
    Você encontra frutos do mar aqui e ali, carnes nobres, espumante, drinks e vinhos, mas precisa provar um pouco de tudo para saber onde vale a pena parar. Tomei drink com gosto de sabonete no bar da piscina principal, feito por um barman claramente mal humorado. Também tomei bebidas preparadas com esmero por outros que (mesmo antes da indefectível gorjeta) pareciam felizes no trabalho.
Carey Lobby Bar - melhores drinks e música ambiente tocada por um pianista fantasma 
    A regra simples para evitar furada costuma ser ´quanto mais vazio, melhor´. Por isso, procure os pontos mais afastados (as bebidas das piscina de adultos, por exemplo, sempre tinham mais qualidade) e horários menos lotados (se servir no buffet no horário de pico pode ser garantia de uma paella mal cozida).
    Outra dica importante que li em vários blogs de viagem é sempre especificar as marcas dos seus líquidos preferidos. Se você quer um drink com rum, peça Imperial, se prefere com vodka, diga que quer Absolut, assim, você evita as bebidas genéricas que normalmente são usadas.
     Não tivemos nenhuma restrição para marcar os restaurantes à la carte. Quando chegamos agendamos para os cinco primeiros dias e deixamos para repetir os que mais gostamos nos dois dias finais. O Club Premium nos dava prioridade na reserva, mesmo assim, nos últimos dias só conseguimos marcar um dos restaurantes às 22h30 e o outro já estava lotado no sábado. Por isso, o melhor é não arriscar, marcar tudo o quanto antes para ter opções e garantias. É melhor ter a reserva e desistir dela do que ficar chupando dedo.
     Todos os restaurantes oferecem entrada, prato principal, sobremesa e bebidas à vontade. Como são vários turnos de reservas, os garçons têm uma certa pressa em pegar o pedido completo logo depois da chegada. Alguns contam com um buffet de antepastos. Há apenas uma marca de vinhos e de espumante incluída. Quem quiser uma dose extra de glamour pode pagar por um vinho melhor à parte.
Bohio Dominicano - restaurante buffet 
    Nos buffets a comida é muito variada (e praticamente igual nos dois restaurantes). Há um setor com pratos infantis, uma ala enorme de queijos e saladas, pizzas, hambúrgueres, massas, carnes e pratos locais e internacionais em grande quantidade. Eles não precisam de reserva prévia, abrem para café, almoço e jantar e não têm restrições de vestimenta.
    Os restaurantes à la carte só abrem para o jantar (com exceção do que fica ao lado do campo de golfe) e exigem trajes formais. Homens só podem entrar de calça e mulheres devem evitar shorts e roupas de banho. A ideia é que o jantar seja como um passeio dentro do complexo, que as pessoas se preparem para esse momento, por isso, a maior parte dos restaurantes investe numa decoração suntuosa e numa comida mais sofisticada. Ainda que sofisticação seja sinônimo de anos 80...
    Minha maior decepção foi o espaço de frutos do mar. Apesar de estar instalado numa das partes mais bonitas do hotel, no alto, com uma varanda que dá vista para o complexo, o lugar parece mal conservado. A decoração já viu dias melhores, a comida é extremamente gordurosa e até o buffet de antepastos é pobre. Ele compartilha esse buffet e o de sobremesas com a casa de carnes e talvez os dois tenham mesmo essa proposta mais popular...
Sea Food Restaurant Buffet - Tão sem graça que nem mereceu muitas fotos
     Não provei a casa de carnes, nem o japonês. Esse último tem uma área externa linda, como havia lido que é mais oriental (cheio de yakisobas e yakimeshis) que propriamente japonês, me contentei apenas em admirar.
    A melhor surpresa foi, sem dúvida, o restaurante mexicano, a qualidade da comida me impressionou e a fartura dos nachos de entrada também.
    O espanhol é bem agradável e olha que ficamos na varanda, longe do ar condicionado...
    O italiano e o frânces são os mais elegantes. Como eu já contei antes, o frânces não faz parte do sistema tradicional, mas está liberado no Club Premium. Para evitar decepções, volto a reforçar que a sofisticação aqui está uns 30 anos atrasada. Ou de que década você acha que saíram o coquetel de camarão e a lagosta ao thermidor?
    Se você não estiver esperando o melhor prato da sua vida, nem a inovação culinária do século, dá pra ser muito feliz por lá. Nós ainda tivemos a sorte de sermos atendidos por uma garçonete simpaticíssima, a Yesênia, que fazia de tudo para agradar.
La Comedie - o francês
    O diferencial do italiano é o buffet, as opções de antepastos são tão boas que a gente quase esquece o jantar. E, "para nossa alegriaaaaaaaaaaaaa", há pratos com camarões em todos os restaurantes. No geral, a atmosfera é melhor que os pratos, mas, vai por mim, a comida não vai ser um problema.
La Dolce Vita - italiano    
    Outro benefício do Club Premium que eu recomendo fortemente é o spa. Depois de tanta comilança, nada melhor do que relaxar numa looooonga sessão de hidroterapia. Em tese, a pulseirinha mágica dá direito a 30 minutos por dia, mas, os próprios atendentes avisam que você pode ficar despreocupado. Passávamos um par de horas por lá. Não bastassem as duas saunas e as quatro duchas diferentes, o sistema de hidroterapia ainda tem uma piscina geladíssima e uma quentíssima que, devidamente combinadas, fazem a gente flutuar.
     Uma vez lá dentro você também pode aproveitar a piscina normal (que fica em frente à piscina principal do resort) e agradecer a Deus por tanta mordomia.